Otite de repetição: quando a dor de ouvido precisa de um olhar mais atento
Noites mal dormidas, choro e novas crises de dor de ouvido: para muitas famílias, a otite parece não dar trégua. A chamada otite média aguda de repetição costuma ser caracterizada por três episódios em seis meses ou quatro em um ano. Ela atinge a região atrás do tímpano e é especialmente comum na infância, quando o canal que conecta o ouvido à parte de trás do nariz — a tuba auditiva — ainda apresenta características que facilitam o acúmulo de secreções. Não é simplesmente “água que entrou no ouvido”: frequentemente, o problema começa após uma infecção respiratória.
O cuidado vai além de aliviar a dor. Quando o líquido permanece no ouvido, pode prejudicar temporariamente a audição e merece acompanhamento, sobretudo na fase de desenvolvimento da fala. Segundo o Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios da Comunicação dos Estados Unidos, manter a vacinação em dia, evitar a exposição à fumaça de cigarro e amamentar ajudam a reduzir o risco de infecções. O pediatra ou otorrinolaringologista avalia cada caso para decidir entre observação acompanhada, medicamentos e, em situações específicas, tubos de ventilação.
E onde entra a quiropraxia? Na responsabilidade de compreender o problema e respeitar as evidências. Embora existam relatos sobre ajustes vertebrais em crianças com otite, relatos isolados não comprovam que o tratamento funciona. Uma revisão publicada no Journal of Chiropractic Medicine, em 2012, encontrou evidências de qualidade limitada; já um posicionamento internacional publicado em 2024 recomenda que manipulações e mobilizações da coluna não sejam utilizadas para tratar otite em crianças. Portanto, não há fundamento científico sólido para prometer que ajustes eliminem infecções ou previnam novas crises.
Uma quiropraxia comprometida com a ciência conquista confiança ao avaliar com critério, reconhecer seus limites e colaborar com outros profissionais. Diante de otites recorrentes, isso significa orientar a família a buscar avaliação médica e não atribuir a infecção a um suposto “desalinhamento” da coluna. O cuidado que encanta é aquele que acolhe, esclarece e coloca a saúde da criança acima de qualquer promessa.
